quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Não há nada mais belo
que o nosso olhar
Vemos o que não entendemos
E sentimos o que não vemos!



Garanhuns-PE
Dez/2008

Parque Ruber Van Der Linden

terça-feira, 3 de novembro de 2009

"Meus 90 e tantos anos..."



"Cansei.Cansei do atos massantes de Shakespeare.Cansei de Grotowski e seu teatro sem cenário.Cansei da feia sorrindo na janela, esperando o principe encantado no seu cavalo branco.Cansei da minha casa.Do camarim as vezes sem luz e sem conforto.Das bocas de cenas remendadas com fita isolante.Cansei de ter que pisar aqui e inventar um amor inacabado.Cansei de voce, que me olhas com medo, querendo fugir deste lugar porque foi obrigado a crescer mais inteligente que o seu irmão.Cansei de tudo que me envolve.Cansei de ter que sentir na rosa, o coração do poeta jovem.Não quero ser estóría da minha história.Quero sim, ter história para saudar minha estória.Cansei de decorar aquilo que só usarei aqui.E mais nada.
Enquanto sou o centro de tuas atenções, meu corpo estremece porque não sou pálio à minhas tantas paixões.Queria fugir com voce.Fugir para poder viver e construir o que neste verossímel tablado se criou com minhas palavras.Eu quero ser o cansaço da minha alma quando repousa naquele macio colchão que comprei no dia do nosso casamento.Quero ser o cansaço da tua vida que olhas despercebida teus sonhos indo contra as tantas noticias.Quero ser o descanço das minhas pernas cançada numa bacia gelada que me fez para me agradar.Quero.Na verdade, quero continuar cansado.Viver cansado.Sem deixar de sentir num friúme por dentro o que tanto me assola.Porque, mesmo cansado e com meus 90 e tantos anos, é aqui que quero lembrar minha vida e deleitar o encanto da minha morte!"

FIM


"Saudação ao Ator"




"Abrem-se as cortinas; Acendem-se as luzes.O ator prepara-se no camarim.Frio na barriga.Ele entra.E entao, tudo é sonho, fantasia, ilusão.Sente o espetáculo na mão e a lembrança no peito.Não tem jeito.Ele é ator.Sente com tristeza a lagrima de uma criança.Chora.Sente com alegria o sorriso de um velha.Sorri.E com um suspiro vindo do âmago da alma, vê na morte a unica certeza.Mas, sabe que é na vida onde se encontra as grandes belezas.Ele termina, agradece o público e volta a ser um transeunte.Que ninguem vê; ninguem o percebe; ninguem lhe ouve.E são nesses momentos cotidianos onde ele mais atua.No entanto,é no palco onde ele relamente enleva.Deixando pra trás as pegadas que dera e pensando no presente que recebera: uma rosa com espinhos que uma criança lhe entregara para acalentar teus arduos caminhos.Ele olha sente sorri e chora e a certeza de que a vida é 'um palco iluminado' e em versos e prosas se vai esperando a proxima hora para brilhar na ultima aurora."

Dedicado ao meu irmão de alma.Vindo de outros lugares, outras vidas.
À voce, meu raro poeta,

Fernando Solera (Poeta)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"Pitadas de dor"

O medo que tenho em te ter
é o mesmo que tenho em não querer te ter
O medo que sinto
é o mesmo da coragem que presinto
Não sei nada.
Apenas vivo nesta estrada
que tem doses de amor
com leve pitadas de dor.

"O peso da paixão"

Tudo era de brincadeira
o sol ardia na pele;
o suor esorria pelo rosto;
teu desejo exprimia-se a cada gesto meu.
Tinha dias que tu brigavas comigo
Quando acordava era um bom dia
Quando chegava era um beijo de paixão
e as vezes, teu olhar, sorria de compaixão.
Não me lembro das noites mal dormidas
pois tua presença era clara e constante
não me lembro das lágrimas escorridas
pois teu carinho era alegre e a todo instante.
As vezes me sentia só
feito uma criança quando dorme no escuro
e eram nesses dias que tu mais me amavas
me fazendo dormir sem sentir que tu já tinha partido.
Meu amor por voce foi intenso
e quando disse eu te amo
tudo não passou de um sonho:
partiu sem deixar rastro
apenas a lembraça de alguém
que um dia muito lhe desejou.

À Raquel Fernandez

"Finados"

Saudemos hoje os que ja foram.Que partiram para o além-mundo da vida.Oremos cada um vossas orações partculares à cada seres que ainda nao se encontram entre nós.Saudemos dia 2 de Novembro.Dia dos que morreram.Morreram por morte matada ou morte anunciada.Morreram pelo coragem de nao mais querer viver ou pela falta de, de não querer morrer.

Suplicamos a Vós, que ouvem este grito de pesar.Que sentem com saudade o que a estória torna lembrar.Saudemos os que por aqui vieram e como eles também vamos.Saudamos todos, todos eles: anonimos perante a totalidade; famosos perante a massa.Saudemos o João, José, Maria, Sebastião, Tomé.Saudemos Ricardo, Carlos, Humberto,Gilberto,Roberto.Saudemos Luzia,Luiza,Ligia,Marina,Carolina.

São tantos nomes, sobrenomes.São tantas estorias históricas que pouco deles conhecemos.Saudamos àqueles nomes que não escrevi mas que ainda vivi na memoria dos que ainda vivem.

Oremos, proclamamos a dependencia da carencia em crer naquilo que desconhecemos.Juntemo-nos à todos que por aqui vivem, sem mesmo saber quando será o ultimo suspira pois eu: "Eu me sento/No trono de um apartamento/Com a boca escancarada/Cheia de dentes/Esperando a morte chegar.../Porque longe das cercas/Embandeiradas/Que separam quintais/No cume calmo/Do meu olho que vê/Assenta a sombra sonora/De um disco voador..."

"Deixe-me ser..."

Deixe-me ser a sombra da tua mão
A sombra do teu cachorro
A sombra da tua sombra

Deixe-me ser o que outrora não fui
O que agora me esqueci
que antes tanto menti

Deixe-me ser o teu caminho
As pedras, flores e espinhos
que perdi sem lhe dar carinho

Deixe-me ser àquilo que olhas
o jardim que planta e colhe
o passo dado na aurora

Deixe-me ser o passado
Deixe-me, apenas
que eu cante do teu lado

"Vestido Azul"

Quando lembro-me do teu beijo
meu corpo estremece
Quando me lembro dos seus olhos
meu corpo padece

Inda lembro do teu sorriso
sorriso viril de bem-ti-vi
que não sabia mais o que era isso
esqueci-me de tudo,menos do que vivi.

Sinto teu perfume por toda minha pele
que ainda não amadureceu
Sinto tuas lágrimas que dera
que tanto me rejuveneceu

Lembro-me quando te vi
vestido azul igual uma borboleta
parecia que entrava no céu
daquele teu imenso jardim

À Kelly Oliveira

"Navio de Estórias"


O percusso que ele faz, também farei.O mar que ele desliza, muito ja mergulhei.O sol que rasga o diafragma minha pele muito ja queimou.Irei junto com ele.Onde?Eu sei.Mas não falo, apenas sinto.Sinto que cada dia que vivo nesta cidade de pedra, mais perto estou chegando de onde quero ir.Por que?Eu sei.Mas, não me importa ficar aqui explicando o porque disso, porque daquilo.Eu sei e ponto final.Não vim aqui escrever um livro e sim contar minha 'estória'.Estória que se escreve com E pois não tem pretenssão de se tornar história.Como disse Guimarães Rosa :''a estória não quer se tornar história''.Acrescento uma frase de Rubem Alves, no livro "O Velho que acordou Menino": ''A história acontece no tempo que aconteceu e não acontece mais.A estória mora no tempo que não aconteceu para que aconteça sempre".

Minha vida, portanto, é um mar de estórias que mora no tempo que nunca aconteceu para que possa sempre acontecer.E os caminhos que irei, junto com o navio percorrer, será o mesmo que me trará de volta.Sem saber em qual porto irei parar.Em qual porto reencontrarei àquelas estorias que hoje me faz crescer.


domingo, 1 de novembro de 2009

"Aiô"

Gira no terreiro.Gira a cor.Gira a moça preta dos ancestrais africanos que no terreiro de Angola libera a dança que em ti se aflora.Gira Iãnsa.Gira Pai Ogum.Gira todos as cores de nossa mãe Oxum.E gira.Gira.Gira.Deixe a gira girar.A mãe preta que nos olha no terreiro.Saudamos nossa terra nagô que os negros oriundos do Yorubá, trouxe na malemolência as danças desconhecidas e hoje marginalizadas.Gira no terreiro da Mãe preta.Evoca o desconhecido tão querido porem, preconceituosamente pejorativo.
Gira os escravos Bantus, Voduns e Nagos.Deixem finalmente girarem as tribus desconhecidas."Descarrega este terreiro de minha mãe Oiá"
Saudamos com reverencia essa gira e nos encontraremos num futuro ilusósio todos que hoje não enxergam a nossa cultura vinda dos navios nagreiros.
E o samba encerra esta saudação tão esquecida por nós e tão dilacerada no peito dos nossa ancestrais negros mas que ainda ouvimos teus cantos por entre ruas e becos de qualquer cidade do Brasil

"Calunga qui tom´ossemá. Calunga qui tom anzambi, aiô"

 
"Aiõ meu Povo de Angola.Meu povo de Benin.
Que faz ainda parte de mim
E ouços teus cantos de cantos em prantos
Tuas lágrimas em sangue
Tua cor de mangue
Aiô meu Povo Nagô
dos gritos dos 'tambô'
tambor de minas
crioula
ouço o eco do 'sinhô'
Aiô meu Povo Jeje
que da alma se faz gente
dos dialetos que a terra sente
dançando nos terreiros
que aqui se faz presente.
Aiô meu Povo Ketu
onde sentem nas encruzas
o marasmo de Exu
sua cachaça e seu cigarro
perfumando as estradas
dos escravos outrora refujiados.
Aiô meu Povo Brasileiro
que na alma carrega o sangue negro
dos mesmos que hoje
voce açoita com preconceito
esquecendo enfim que eles
estão dentro dos nossos peitos.
Aiô todos os escravos
esquecidos nos porões
dos também esquecidos
navios negreiros."